quinta-feira, 19 de junho de 2014

Literatura infantil | A MENSAGEM UNIVERSAL DE "BRANQUINHO, O DOGNAUTA" ("SNOWY, THE DOGANAUT")

Texto: Virgínia Cavalcante (Tia Virgínia)

Em 1981, Laura Constância Sandroni, a mais importante crítica e incentivadora da literatura infantil neste país, recebeu o texto escrito por um menino de apenas sete anos, Diego Albuquerque. 

Fez questão de escrever a contracapa, a apresentação do livro publicado pela editora Codecri. 

Numa análise lúcida e significativa, pontuou, entre outras coisas, que o livro "propõe uma saudável aceitação do ser-diferente, ao mesmo tempo que faz refletir sobre os caminhos da tecnologia e da ciência".

Este conceito central do livro gerou imediatamente uma série de eventos em escolas, onde o próprio autor Diego e o ilustrador Lipe contavam a história e conversavam com crianças e adultos sobre a questão das diferenças, numa época em que ainda não se falava de bullying. 

Um dos eventos foi no Circo Voador, na Lapa, e trouxe as crianças da comunidade em volta.

O autor Manoel Carlos escrevia um de seus maiores sucessos, a novela das 8 " Sol de Verão". Durante três capítulos, colocou no ar , desenhado no quadro negro, o Dognauta, e a história foi discutida pela professora Rachel (Irene Ravache), que dava aula numa escola para surdos-mudos, entres eles Abel( Tony Ramos).

Quando saiu a segunda edição, em 1986, o autor Diego Albuquerque tinha 12 anos e novamente se empenhou nas palestras interativas em escolas e outros locais. 

Não só isto, como o Ministério da Educação distribui 75 mil exemplares para escolas de todo o país, onde professores puderam levar para seus alunos a questão levantada pelo livro, e a qualidade simples e bem humorada do texto autenticamente infantil.

O alcance deste trabalho foi de tal ordem, que gerou, por exemplo, um episódio inesquecível: em 1989, no dia da comemoração do aniversário de 200 anos da Revolução Francesa, pessoas do mundo inteiro se espremiam no alto da Torre Eiffel assistindo ao espetáculo com visão 360 graus, dos fogos de artifício estourando por toda Paris.

Entre elas, Diego, então com 16 anos. De repente, uma moça se aproximou, parou na frente dele e perguntou: "Você é brasileiro?" " É o autor de Branquinho, O Dognauta?" " É o Diego Albuquerque?". A moça era professora numa escola onde Diego havia dado uma palestra aos doze anos. Num momento de inesquecível emoção, abraçou o Diego e agradeceu pelo quanto o livro e a palestra enriqueceram a vida e o trabalho dela.

Quando saiu a mais recente edição brasileira, em 2011, novamente Diego, já adulto, saiu em campo para contar a história e conversar com as crianças em escolas e festas literárias. 

Durante esta semana, está repetindo com o mesmo empenho este trabalho, realizando seu propósito, do outro lado do mundo, nas escolas, universidades, e na mídia da Nova Zelândia, onde "Snowy, The Doganaut" está sendo lançado. 

O talento do menino de sete anos foi criar esta história com um texto inteligente e bem humorado, e ter tido a percepção de questões que são universais e atemporais. 

Seu maior mérito foi desde então ter acreditado no que disse e ter feito sempre o possível para colocar suas crenças ao alcance de inúmeras crianças e educadores. 

Desde 1981 Diego já marcou vários gols importantes com o seu Dognauta, e o lançamento agora em língua inglesa abre um novo ciclo.

Mas, é claro, nenhum gol se faz sozinho: por trás de cada bola na rede, além do talento e esforço do centroavante, existe todo um time e uma equipe de preparação, além da torcida.
Cabe pois, neste momento, agradecer aos tantos colaboradores famosos e anônimos que, ao longo destes anos, e nos que ainda virão, fazem parte da trajetória bela e única de "Branquinho, o Dognauta".

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Diego Albuquerque é amigo de fé e irmão camarada do blogueiro, amigo de Bom Jesus e de alguns privilegiados bom-jesuenses

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